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Erros comuns antes de uma consulta sobre o seu imóvel e como evitá-los

Chegar à primeira conversa sem documentos, com ideias fixas ou à procura de uma resposta imediata complica a análise. Eis os erros que mais vemos e o que fazer em cada caso.

António Lacerda

5 minutos de leitura

Erros comuns antes de uma consulta sobre o seu imóvel e como evitá-los

Ir à conversa sem os papéis do imóvel

O erro que mais vezes encontramos ao receber os pedidos é o mais simples: o proprietário marca a consulta, mas não reúne os documentos antes de se sentar connosco. Sem caderneta predial, certidão permanente ou escritura, a conversa fica cheia de "julgo que sim" e "deve estar na gaveta de casa", e a primeira reunião serve sobretudo para listar o que falta.

Não é preciso ter tudo organizado em pastas. Basta separar o que existir e anotar o que não encontra. Se o imóvel foi herdado, diga-nos também em que fase está a partilha, porque isso condiciona o que se pode ou não fazer a seguir. Quem chega com três ou quatro papéis e uma lista de dúvidas aproveita muito melhor a hora de conversa do que quem traz uma sacola cheia sem ordem.

  • Caderneta predial e certidão permanente, se as tiver
  • Escritura ou documento de partilha, no caso de imóveis herdados
  • Últimas faturas de IMI, condomínio e seguro
  • Uma lista curta de dúvidas escrita à mão

Chegar com a decisão já tomada

Há quem venha à consulta convencido de que quer arrendar, e só procura confirmação. É compreensível, porque muitos proprietários pensaram no assunto durante meses, mas uma ideia fechada impede de olhar para o imóvel com atenção. Já aconteceu a conversa mostrar que o apartamento precisava de obras antes de qualquer uso, ou que a casa tinha um andar que fazia mais sentido aproveitar de outra forma.

O que sugerimos é entrar na conversa com uma preferência, não com uma sentença. Diga o que lhe agradaria e o que de modo nenhum quer, e deixe espaço para que o estado do imóvel e os custos corrijam a rota. A consulta serve para ver as opções com calma, e uma preferência firme continua a ser bem-vinda se aguentar a comparação.

Esperar uma resposta fechada à primeira

Outro engano frequente é imaginar que a consulta termina com um veredicto. Uma conversa pessoal serve para perceber a situação, o estado do imóvel e as opções que fazem sentido, e isso raramente cabe numa única tarde. Muitas vezes saímos da primeira reunião com perguntas novas, em vez de respostas definitivas, e isso é normal e saudável.

Se alguém lhe prometer uma conclusão imediata sobre o que fazer com a sua casa, desconfie. Os números dependem de orçamentos de obras, de impostos aplicáveis e da sua própria disponibilidade. O que a primeira consulta deve deixar claro é o que já se sabe, o que ainda é preciso apurar e quem fica responsável por cada passo, para que não tenha de adivinhar o que vem depois.

Esconder o que incomoda no imóvel

Humidade numa parede, um telhado que já deu sinais, um vizinho com quem há conflito, uma dívida de condomínio por regularizar. São assuntos desconfortáveis e é natural que se queiram deixar para depois, mas são precisamente os que mais pesam na análise. Um problema escondido na primeira conversa aparece mais tarde, e então obriga a refazer contas e a repetir explicações.

Lembre-se de que não estamos aqui para julgar o estado em que a casa se encontra, mas para o tomar em conta. Quanto mais franca for a descrição, mais útil será o resultado. Se tiver fotografias de zonas com problemas, traga-as. Se não souber o que estão a dizer as manchas no teto, diga-o também, que isso já é uma informação com valor para quem vai avaliar o espaço.

  • Infiltrações, fissuras ou instalação elétrica antiga
  • Dívidas de condomínio ou obras aprovadas em assembleia
  • Ocupantes atuais ou familiares com direito de uso

Decidir sozinho o que afeta mais pessoas

Quando o imóvel é de vários herdeiros, ou quando o cônjuge e os filhos têm opinião sobre o destino da casa, ir sozinho à consulta costuma ser um erro. Sai-se com uma conclusão que depois é preciso explicar, defender e por vezes rever diante de quem não ouviu a conversa. Perde-se tempo, e por vezes cria-se uma tensão familiar que podia ter sido evitada.

Se possível, venha acompanhado, ou pelo menos diga-nos quem mais tem palavra na decisão. Podemos preparar o resumo escrito de modo a que seja fácil de partilhar com os outros. Também é legítimo marcar uma segunda conversa com a família presente, depois de o proprietário principal ter percebido o essencial e ter perguntas mais concretas para levar.

Sair sem anotar os passos seguintes

Mesmo com boa conversa, há quem saia da sala e, uma semana depois, não se lembre do que ficou combinado. Convém terminar a consulta com uma folha simples: o que cada um vai fazer, até quando e que contacto usar em caso de dúvida. Fazemos esse resumo connosco, mas vale a pena confirmar que reflete o que se disse.

Se algo não ficou claro, pergunte antes de sair. Perguntar de novo não é sinal de distração, é prudência. E guarde o resumo junto dos documentos do imóvel, para que daqui a seis meses, quando voltar ao assunto, não tenha de reconstruir de memória o que pensou nesta altura do outono.

Quase todos estes erros nascem da mesma pressa: querer despachar o assunto num dia. Uma consulta bem aproveitada pede alguma preparação, franqueza sobre o que não está bem e abertura para ouvir alternativas. Nada disto exige conhecimentos técnicos, apenas atenção e papéis à mão. Se tiver dúvidas sobre o que levar, ligue-nos antes e ajudamos a montar a lista.

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